Vida de mascaras
Alguns questionam suas vidas. Questionam sua existência. Bem, posso dizer que sou uma delas. Tenho tantas perguntas sem respostas... e bem talvez um dia eu consiga, mas sinceramente não conto com isso, minha pouca experiencia faz eu acreditar que nunca de fato saberei as respostas.
O mais engraçado disso, é que vejo a beleza na vida das pessoas, uma beleza que elas mesmas não vêem, porém eu não vejo beleza alguma em minha vida.
Quem me vê sorrindo pode achar que sou uma pessoa feliz, mas para mim aquele simples sorriso é uma explosão dentro de mim. Uma explosão de desgosto no meu viver, um sentimento que me questiona o sorriso pois na realidade não tenho motivos para sorrir.
O desejo de não ter a vida que tenho, de não ter trilhado o caminho que trilhei é inexplicável. É meu maior desejo.
Ou simplesmente o desejo de não ter de viver com as mascaras que vivo hoje. Minhas mascaras, minha defesa, com elas ninguém sabe de fato quem e como sou. Para alguns isso é legal. Para mim, é doloroso por que no fim nem mesmo eu sei quem realmente sou.
#Tityah
Tarde demais
Era noite,
só se ouvia minha respiração e meu coração no peito, dando ainda sinal de vida.
O vento tocava minha pele, estava gelado, umas das noites mais frias que já vi.
Por que isso? Por que só agora eu tinha a chance de ver o mundo diferente.
Antes que eu tinha tudo, e só agora vejo o valor da pessoa que me amava, o
valor de tudo que perdi.
Imerso em
meus pensamentos volto ao passado, com grande tristeza: “Ela passa pela porta
com um grande sorriso no rosto, e a alegria dominava seu olhar. Não havia uma
pessoa que não sorria ao olhar para ela. A não ser claro, eu. Ela olhou para
mim, o brilho de seus olhos era hipnotizante, eu olhei em seus olhos e quis, eu
realmente queria sorrir, então percebi que não poderia sorrir ainda, que não estava
pronto depois do que me acontecerá, e assim simplesmente abaixei a cabeça,
vendo em seu olhar um passar triste, seu sorriso se desfez e ela congelou onde
estava, seus olhos se encheram de lagrimas, a menina mais sensível que já
conheci...
- Sente-se
senhorita. – disse a senhora Barbara para a estatua
a minha frente.
Sandy piscou
com força reprimindo as lagrimas, e devagar foi ao seu lugar de costume. Sandy
era o tipo de menina que tinha tudo para ser popular: loira, alta e esbelta.
Sorriso perfeito, lindos olhos castanhos, seu rosto parecia porcelana, não se
via traço algum se maquiagem. Porem ela não seguiu essa carreira de Miss
Popular. Ela era inteligente, humilde, sempre disposta a ajudar e era o ombro
amigo de qualquer um nas horas mais difíceis. Ela compreendia todos, e
respeitava todos os gostos e estilos. Sempre bem vestida, calça com uma
camiseta de manga e uma sandália baixa. Não se via vaidade naquela garota.
Assim, por
anos estudando juntos, e eu nunca lhe sorri. Mas um dia, ah naquele dia, foi
quando tudo começou, os corredores da escola estavam uma bagunça, todos os
alunos corriam e gritavam. Mas nenhum sinal de Sandy por lá. Ninguém notou sua
ausência nem mesmo eu. Eu, cego como sempre, frio como sempre. Entrei na sala
de química onde a menina estava chorando, o desespero em seu olhar. Ela me
olhou e foi quando percebi, ela passou a vida toda compreendendo todos, porém
ninguém lhe dava valor, ninguém lhe compreendia. E em meio a tanta confusão
veio àquela explosão...”
Coloquei a mão em meu braço, sentido arder a
queimadura... Imagens, flashes daquela manhã veio em minha mente... O olhar de
Sandy me dizendo Adeus. Suas lagrimas demostrando o quão desesperada ela
estava. Eu que a carreguei pelos corredores e a caminho da enfermaria, ela quase
sem voz. Disse o que estava cravado em sua garganta:
“Sempre amei
você, sempre quis o seu bem... Sinto muito por não ter ido te abraçar naquele
dia. Eu vi que o que você mais precisava era de alguém. Saiba que eu estava lá,
compartilhando com você a dor de sua perda, sua mãe era uma ótima mulher...”
E assim me
vi com a garota de meus sonhos morta em meus braços... !!!

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